"Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo". (Jo 16,33)
SEMANA SANTA
DOMINGO DE RAMOS
Entrada de Jesus em Jerusalém
A comemoração da entrada do
Senhor em Jerusalém, com a bênção e a procissão dos ramos, supõe a proclamação
do Evangelho, que dá sentido ao ato litúrgico (Mt 21,1-11). O louvor público é
o reconhecimento messiânico da pessoa de Jesus (v.9), pela explicação bíblica,
mais fácil, da relação do Messias com a dinastia davídica. De fato, a saudação
messiânica Hosana ao Filho de Davi (v.9a), no ato de bendizer o que vem em nome
do Senhor (v.9b), é a confirmação do oráculo de Natã (2Sm 7,16), através do
qual o povo espera e reconhece a chegada daquele descendente privilegiado, cujo
trono seria estável ou permanente.
Entretanto, Jesus parece
preferir servir-se de outros textos escriturísticos para se deixar reconhecer
como Messias. Ao querer montar no jumento para entrar na cidade (vv.2-3),
assume a missão messiânica, descrita por Zacarias: Dizei à Filha de Sião: eis
que o teu rei vem a ti, manso e montado em um jumento, em um jumentinho, filho
de uma jumenta (v.5; cf. Zc 9,9-10).
Ao contrário das
expectativas normais de um rei poderoso e guerreiro, Jesus opta por um
messianismo anti-messiânico, por colocá-lo na via humilhante de contradição:
mansidão, pobreza, serviço. Escolhendo o jumento, não só relega o simbolismo do
cavalo, animal de porte e de guerra, expressão régia do poder, do comando, da fortaleza,
da nobreza e da beleza, mas também opta pelo seu contrário, que é a
manifestação da onipotência na fragilidade e da glória na humilhação. Esta
contradição, presente na entrada triunfal em Jerusalém, é a própria maneira
como, em obediência ao plano do Pai, exercerá nesta mesma cidade da paz, a obra
maior da libertação e da redenção dos homens, através do caminho da cruz.
O contraste da cena do
Messias, aclamado pelo povo como descendente de Davi e montado burlescamente no
jumento, se evidencia no conjunto da própria Liturgia de hoje, simultaneamente
de Ramos e da Paixão. Com efeito, cessado o aspecto triunfal da comemoração da
entrada em Jerusalém, a Liturgia da Missa realça apenas o caminho escolhido por
Jesus para realizar sua messianidade: a entrega à morte, e morte de cruz. O
mesmo povo que o aclamara, aparece, então no processo de sua condenação.
Este ato contraditório se
explica pelo messianismo anti-messiânico, ligado à pregação e irrupção do
Reino, que contraria os interesses dos poderosos. Rejeitando-se o Messias, sua
pessoa e sua mensagem, rejeita-se também o Reino que veio instaurar através dos
meios pobres, mas eficazes, que escolhera. A cruz e a morte se colocam, então,
no horizonte desta recusa do projeto messiânico: o caminho do amor que se doa a
Deus e aos homens, em prol da justiça e da paz, através da mansidão e da
humildade.
QUARTA-FEIRA SANTA
Procissão do Encontro
Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora
das Dores
Dentro da Semana Santa,
também chamada de “A Grande Semana”, em muitas paróquias, especialmente no
interior, realiza-se a famosa “Procissão do Encontro” entre: o Senhor dos
Passos e Nossa Senhora das Dores.
Os homens saem de uma
igreja com a imagem de Nosso Senhor dos Passos e as mulheres saem de outra
igreja com Nossa Senhora das Dores. Acontece então o doloroso encontro entre a
Mãe e o Filho. O padre, então, proclama o célebre Sermão das Sete Palavras, que
na verdade são sete frases:
1. Pai, perdoa-lhes porque
não sabem o que fazem. (Lc 23,34
a);
2. Hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23,43);
3. Mulher eis aí o teu filho, filho eis aí a tua mãe. (Jo 19,26-27);
4. Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?! (Mc 15,34);
5. Tenho sede. (Jo 19,28 b);
6. Tudo está consumado. (Jo 19,30
a);
7. Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23,46 b).
O sacerdote, diante das
imagens, faz uma reflexão com estas frases, chamando o povo à conversão e à
penitência. O silêncio é grande, já que a imagem de Nosso Senhor dos Passos
mostra-o com a cruz às costas.
A expressão dos rostos das
imagens é de dor e sofrimento. Algumas imagens de Nossa Senhora das Dores
mostram-na abraçada a uma espada, lembrando certamente a profecia de Simeão:
“Uma espada de dor te traspassará a alma”.
Quando estive na Basílica
do Santo Sepulcro em Jerusalém, fiquei muito emocionado quando vi a imagem de
Nossa Senhora das Dores.
No local onde, segundo a tradição, foi colocado Jesus crucificado, tem um
buraco no chão. Onde foi colocada a cruz de Jesus, está embaixo um altar. A
gente precisa ajoelhar-se para colocar a mão lá dentro. Imagine a emoção...
Só que antes de chegar a
este lugar santo, a gente passa em frente à imagem de Nossa Senhora das Dores.
Belíssima... Quem a fez conseguiu como que umedecer o seu rosto, e é como se
ela estivesse chorando, mas com o rosto sereno. Sofrido, mas sereno. Chorei
muito ao contemplá-la.
É tudo isso que vivemos
neste tempo de profunda reflexão.
Nossa fé é pascal, passa pelo sofrimento, morte e ressurreição do Senhor.
Sigamos os passos de Jesus,
sempre com Maria.
Diácono Nelsinho Corrêa
Mestre de Noviços da Comunidade Canção Nova
QUINTA-FEIRA SANTA
Bênção dos Santos Óleos
Na Quinta-feira Santa, óleo
de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo Bispo para ser usado
nas celebrações do Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordenação.
Sempre que houver
celebração com óleo, deve estar à disposição do ministro uma jarra com água,
bacia, sabonete e toalha para as mãos.
Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três
óleos litúrgicos.
Fora de Roma, esta bênção
acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de Aleluia.
O motivo de se fixar tal
celebração na Quinta-feira Santa deve-se ao fato de ser este último dia em que
se celebra a missa antes da Vigília Pascal. São abençoados os seguintes óleos:
Óleo do Crisma - Uma mistura de óleo e bálsamo,
significando plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar
"o bom perfume de Cristo". É usado no sacramento da Confirmação
(Crisma) quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo,
para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento do
sacerdócio, para ungir os "escolhidos" que irão trabalhar no anúncio
da Palavra de Deus, conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos
sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.
Óleo dos
Catecúmenos -
Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou
crianças, antes do rito da água. Este óleo significa a libertação do mal, a
força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento
pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.
Óleo dos Enfermos - É usado no sacramento dos
enfermos, conhecido erroneamente como "extrema-unção". Este óleo
significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o
fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for
vontade de Deus. Sua cor é roxa.
Instituição da Eucaristia
Na véspera da festa da
Páscoa, como Jesus sabia que havia chegado a sua hora de passar deste mundo
para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim (Jo 12,
1).
Caía a noite sobre o mundo,
porque os velhos ritos, os antigos sinais da misericórdia infinita de Deus para
com a humanidade iam realizar-se plenamente, abrindo caminho a um verdadeiro
amanhecer: a nova Páscoa. A Eucaristia foi instituída durante a noite,
preparando antecipadamente a manhã da Ressurreição.
Jesus ficou na Eucaristia por amor..., por ti.
- Ficou, sabendo como O
receberiam os homens... e como O recebes tu.
- Ficou, para que O comas, para que O
visites e Lhe contes as tuas coisas e, chegando junto do Sacrário e na recepção
do Sacramento te enamores mais de dia para dia, e faças com que outras almas -
muitas! - sigam o mesmo caminho.
Menino bom: como os amantes
da terra beijam as flores, a carta, a recordação dos que amam!...
E tu? Poderás esquecer-te alguma vez de que O tens a teu lado..., a Ele!? -
Esquecerás... que O podes comer?
- Senhor, que eu não torne
a voar colado à terra!, que esteja sempre iluminado pelos raios do divino Sol -
Cristo - na Eucaristia!, que o meu vôo não se interrompa enquanto não alcançar
o descanso do teu Coração!
Santo Rosário,
Apêndice, 5º mistério da luz
Comecemos desde já a pedir
ao Espírito Santo que nos prepare para podermos entender cada expressão e cada
gesto de Jesus Cristo: porque queremos viver vida sobrenatural, porque o Senhor
nos manifestou a sua vontade de se dar a cada um de nós em alimento da alma, e
porque reconhecemos que só Ele tem palavras de vida eterna.
A fé leva-nos a confessar
com Simão Pedro: Nós acreditamos e sabemos que tu és o Cristo, o Filho de Deus.
E é essa mesma fé, fundida com a nossa devoção, que nesses momentos
transcendentes nos incita a imitar a audácia de João, a aproximar-nos de Jesus
e a reclinar a cabeça no peito do Mestre , que amava ardentemente os seus e,
como acabamos de ouvir, iria amá-los até o fim.
Tenhamos em mente a
experiência tão humana da despedida de duas pessoas que se amam. Desejariam
permanecer sempre juntas, mas o dever - seja ele qual for - obriga?as a
afastar?se uma da outra. Não podem continuar sem se separarem, como gostariam.
Nessas situações, o amor humano, que, por maior que seja, é sempre limitado,
recorre a um símbolo: as pessoas que se despedem trocam lembranças entre si,
possivelmente uma fotografia, com uma dedicatória tão ardente que é de admirar
que o papel não se queime. Mas não conseguem muito mais, pois o poder das
criaturas não vai tão longe quanto o seu querer.
Porém, o Senhor pode o que nós não podemos. Jesus Cristo, perfeito Deus e
perfeito Homem, não nos deixa um símbolo, mas a própria realidade: fica Ele
mesmo. Irá para o Pai, mas permanecerá com os homens. Não nos deixará um
simples presente que nos lembre a sua memória, uma imagem que se dilua com o
tempo, como a fotografia que em breve se esvai, amarelece e perde sentido para
os que não tenham sido protagonistas daquele momento amoroso. Sob as espécies
do pão e do vinho encontra-se o próprio Cristo, realmente presente com seu
Corpo, seu Sangue, sua Alma e sua Divindade.
É Cristo que passa, 83
Textos de São Josemaría
Ceia do Senhor (Lava-pés)
Um momento solene
No 13º capítulo do seu Evangelho, João fala sobre Jesus fraco, pequeno, que
terminará sendo condenado e morto na cruz como um blasfemador, um fora da lei
ou um criminoso. Até então, Jesus parecia tão forte, havia feito tantos
milagres, curado doentes, ordenado que o mar e o vento se acalmassem e falado
com autoridade para os escribas e os fariseus.
Ele parecia ser um grande
profeta, quem sabe até o Messias. O Deus do poder estava com Ele. Mais e mais
pessoas estavam começando a segui-lo, esperavam que Ele os libertasse dos romanos,
resgatando assim, a dignidade do povo escolhido. O tempo da páscoa estava
próximo. A multidão e os amigos dele pensavam: "Será que Ele vai se
revelar na páscoa? Então, todos acreditarão nele." Todos esperavam que
algo extraordinário acontecesse. No entanto, em vez de fazer algo fantástico,
Jesus tomou o caminho oposto, o da fraqueza, o da humilhação, deixando que os
outros o vencessem. Este processo de humilhação teve início quando o Verbo se
fez carne no seio da Virgem Maria, e continuou visível para os discípulos no
lava-pés. Terminará com a agonia, paixão, crucifixão e morte.
O começo deste capítulo é
muito solene: "Antes do dia da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha
chegado a hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado aos seus, que estavam
no mundo, amou-os até ao extremo. Começada a ceia, tendo já o demônio posto no
coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a determinação de o entregar,
sabendo que o Pai tinha posto em suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e
ia para Deus, levantou-se da ceia, depôs o manto, e apegando uma toalha
cingiu-se com ela." (Jo 13,1-4).
Estas palavras são muito
fortes: "Jesus, sabendo que o Pai tinha posto em suas mãos todas as
coisas, que saíra de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, depôs o manto..."
Então, Ele se ajoelhou diante de cada um de seus discípulos e começou a
lavar-lhes os pés, em uma atitude de humilhação, fraqueza, súplica e submissão.
De joelhos ninguém pode se mover com facilidade nem se defender.
João Batista havia dito que ele não era digno nem de desatar as sandálias de
Jesus (Mc 1,7). No entanto, Jesus se ajoelha em frente a cada um de seus
discípulos.
Os primeiros cristãos devem
ter cantado o mistério de Jesus, que se desfez da sua glória e se fez fraco,
como encontramos nas palavras de S. Paulo aos Filipenses: "O qual,
existindo na forma (ou natureza) de Deus, não julgou que fosse uma rapina o seu
ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo,
tornando-se semelhante aos homens e sendo reconhecido por condição como homem.
Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de cruz! (Fl
2,6-8)
Nós estamos frente a um
Deus que se torna pequeno e pobre, que desce na escala da promoção humana, que
escolhe o último, que assume o lugar de servo ou escravo. De acordo com a
tradição judia, o escravo lavava os pés do senhor, e algumas vezes as esposas
lavavam os pés do marido ou os filhos lavavam os do pai.
Fonte: Comunidade
Shalom
Transladação do Santíssimo
A transladação do
Santíssimo tem notícias históricas desde o século II. Mas o rito da adoração,
na quinta-feira santa entrou na Igreja a partir do século XIII e foi
difundindo-se até o século XV.
O que mais impulsionou foi
a devoção ao Santíssimo Sacramento, a partir da segunda metade do século XIII,
época em que o Papa Urbano IV decretou a festa de Corpus Christi para toda a
Igreja (em 11 de agosto de 1264).
Foi, portanto, a prática
devocional da eucaristia a principal responsável para a adoração ao Santíssimo
na quinta-feira santa, após a missa da Ceia do Senhor.
O rito atual é muito
simples e tem o seguinte significado: após a oração depois da comunhão, o
Santíssimo é transladado solenemente em procissão para uma capela lateral ou
para um dos altares laterais da igreja, devidamente preparado para receber o
santíssimo.
Antes da transladação, o
sacerdote prepara o turíbulo e incensa o Santíssimo três vezes. Depois,
realiza-se uma pequena procissão dentro da igreja, que é precedida pelo
cruciferário (pessoa que leva a cruz processional), velas e incenso.
Durante a procissão,
canta-se o "Pange Lingua", traduzido em português, "Vamos
todos...", exceto s duas últimas estrofes, "tantum ergo" (tão
sublime sacramento...) que são cantadas depois da chegada da procissão na
capela lateral, onde ficará o Santíssimo.
Após a transladação, a
comunidade é convidada a permanecer em adoração solene até um horário
conveniente. O significado é de ação de graças pela eucaristia e pela salvação
que celebramos nestes dias do Tríduo Pascal.
Desnudação do Altar
A desnudação do altar hoje,
é um rito prático, com a finalidade de tirar da igreja todas as manifestações
de alegria e de festa, como manifestação de um grande e respeitoso silêncio
pela Paixão e Morte de Jesus.
A desnudação do altar (denudatio altaris), ou despojamento, como
preferem alguns, é um rito antigo, já mencionado por Santo Isidoro no século
VII, que fala da desnudação como um gesto que acontecia na quinta-feira santa.
O sacerdote, ajudado por
dois ministros, remove as toalhas e os demais ornamentos e enfeites dos altares
que ficam assim desnudados até a Vigília Pascal. No antigo rito, durante a
desnudação recitava-se um trecho de um salmo. O gesto da desnudação do altar
tinha o significado alegórico da nudez com a qual Cristo foi crucificado.
O rito atual é realizado de
modo muito simples, após a missa. Feito em silêncio e sem a participação da
assembléia. As orientações do Missal Romano pedem que sejam retiradas as
toalhas do altar e, se possível, as cruzes da igreja.
Caso isso não seja
possível, orienta o Missal que convém velar as cruzes e as imagens que não
possam ser retiradas.(Cf. Missal Romano, p. 253, n. 19).
O significado é o silêncio
respeitoso da Igreja que faz memória de Jesus que sofre a Paixão e sua morte de
Jesus, por isso, despoja-se de tudo o que possa manifestar festa.
SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO
Paixão do Senhor
Do Evangelho de S. Marcos 15, 33-34.37.39
"Chegado ao meio-dia,
houve trevas por toda a terra,
até às três da tarde.
Às três horas, Jesus exclamou em alta voz:
"Eloì, Eloì, lema sabactàni?"
que quer dizer:
Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste? (...)
Soltando um grande brado, Jesus expirou. (...)
Ao vê-Lo expirar daquela maneira,
o centurião, que se encontrava em frente d'Ele, exclamou: "Verdadeiramente
este homem era o Filho de Deus".
Eis o agir mais alto, mais
sublime do Filho em união com o Pai. Sim, em união, na mais profunda união...
precisamente quando grita: "Eloì, Eloì, lema sabactàni?", "Meu
Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?" (Mc 15, 34; Mt 27, 46). Este agir
exprime-se na verticalidade do corpo estendido ao longo da trave perpendicular
da Cruz com a horizontalidade dos braços estendidos ao longo do madeiro
transversal. A pessoa que olha estes braços pode pensar com quanto esforço eles
abraçam o homem e o mundo. Abraçam.
Eis o homem. Eis o próprio
Deus. "N'Ele (...) vivemos, nos movemos e existimos" (Ato 17, 28).
N'Ele, nestes braços estendidos ao longo da trave horizontal da Cruz. O
mistério da Redenção.
Jesus, pregado na Cruz, imobilizado
nesta terrível posição, invoca o Pai (cf. Mc 15, 34; Mt 27, 46; Lc 23, 46).
Todas as suas invocações testemunham que Ele está unido com o Pai. "Eu e o
Pai somos um" (Jo 10, 30); "Quem Me vê, vê o Pai" (Jo 14, 9);
"Meu Pai trabalha continuamente e Eu também trabalho" (Jo 5, 17).
SÁBADO SANTO
Vigília Pascal
Que está acontecendo hoje?
Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande
solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e
ficou silenciosa, porque Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há
séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.
Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, ovelha perdida.
Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da
morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos
dos sofrimentos.
O Senhor entrou onde eles
estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso
primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de
admiração: "O meu Senhor está no meio de nós". E Cristo respondeu a
Adão: "E com teu espírito". E tomando-o pela mão, disse:
"Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te
iluminará.
Eu sou o teu Deus, que por
tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora
digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: 'Saí!' ; e aos
que jaziam nas trevas: 'Vinde para a luz!'; e aos entorpecidos: 'Levantai-vos!'
Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na
mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos morotos.
Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste
criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti,
somos uma só é indivisível pessoa.
Por ti, eu, o teu Deus, me
tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti,
eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado
debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio,
abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim no paraíso, ao sair
de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.
Vê em meu rosto os escarros
que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face
as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza
corrompida.
Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de
teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da
cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a
árvore do paraíso.
Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu
do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono
vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava
dirigida contra ti.
Levanta-te, vamos daqui. O
inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso
mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu,
porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como
servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não
sejas Deus.
Está preparado o trono dos
querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial,
preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos
os tesouros de todos os bens e o meio dos céus preparado para ti desde toda a
eternidade".
De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo
Fonte: Liturgia das Horas / http://www.auxiliadora.org.br/semanasanta.htm